Formado em Medicina, o irlandês Sean Aloysius O'Fearna chegou a Hollywood com o irmão Francis, 13 anos mais velho, que se transformaria em diretor e roteirista da produtora Universal. Sean adotou o nome de Jack Ford e arranjou emprego como assistente de direção. Quando começou a dirigir filmes mudos - já com o nome artístico retirado de um dramaturgo renascentista inglês - demonstrou seu talento para faroestes, nos quais atuaram Harry Carey, Buck Jones, Hoot Gibson, Tom Mix, George O'Brien, ou seja, todos os grandes atores do gênero na época. O cineasta promoveu o western a clássico com "No Tempo das Diligências", sucesso de crítica e público. A região de Monument Valley, no Estado do Arizona, cenário preferido do diretor, ficou imortalizada em vários de seus filmes. Sempre dosando ação, poesia e crônica de costumes, Ford foi o primeiro a realizar os chamados westerns de arte. Austero e pouco afeito às badalações hollywoodianas, ele, rejeitava os rótulos que os críticos e estudiosos de cinema tentavam lhe aplicar e as interpretações que faziam de seus filmes. Ford recebeu Oscars de Melhor Direção por "O Delator", "As Vinhas da Ira", "Depois do Vendaval". Por "Como era Verde Meu Vale", conquistou os de Melhor Diretor e Melhor Filme.
Nome real: Friedrich Wilhelm Plumpe Nascimento: 28 de Dezembro de 1888, Bielefeld, Westphalia falecido: 11 de Março de 1931, Southern California
Originário do teatro, assim como diversos outros realizadores alemães, Murnau revolucionou ao conceber seus filmes como bras dinâmicas onde os estados emocionais de seus personagens são expressos pela câmara.Seus primeiros filmes, como Satanas ou Der Januskopf ( 1920, A Cabeça de Janus ), baseado no romance The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde ( O Médico e o Monstro, 1886 ) de Robert Louis Stevenson e Schloss Vogelöd (1921; O castelo do fantasma) situam-se numa corrente expressionista, em voga na época. Friedrich Wilhelm Plumpe, conhecido como F. W. Murnau, nasceu em Bielefeld, Alemanha, em 28 de dezembro de 1889. Estudou literatura, filosofia, música e história da arte nas universidades de Heidelberg e Berlim. Por volta de 1910 entrou em contato com as inovações do diretor teatral Max Reinhardt, que muito o influenciou. Colaborou em filmes de propaganda durante a primeira guerra mundial e, mais tarde, iniciou a carreira de diretor.
Seu primeiro filme importante foi Nosferatu (1922), que incorpora inovações técnicas e efeitos especiais, como a imagem em negativo de árvores brancas sobre o céu negro. Nosfetaru rompe os cenários estilizados à Caligari, Murnau prefere filmar a ação, nesta adaptação do Dracula de Bram Stoker, em cenários naturais. Filme admirável, talvez o mais belo do cinema mudo, com seu castelo assombrado, o porto onde desembarcam os ratos, a cidadezinha e o próprio monstro, interpretado por Max Schreck com seu crânio careca e seus dentes de vampiro. Com roteiro de Carl Meyer, Der letzte Mann (1924; A última gargalhada) firmou a reputação de Murnau como grande cineasta. Os movimentos da câmara, que acompanham a ação e contribuem para transmitir emoções dos personagens, tiveram grande impacto no mundo do cinema. Murnau ainda dirigiu Tartüff ( Tartufo, 1925) e Faust ( Fausto 1926) antes de se mudar para os Estados Unidos, onde fez Sunrise (1927; Aurora), entre outros filmes. Dias antes de lançar Tabu, co-dirigido por Robert Flaherty, Murnau morreu num acidente de automóvel em Hollywood, em 11 de março de 1931, justo quando começava a repetir a genialidade expressa em suas obras na Alemanha.
Conhecido como "O Mestre do Suspense" o diretor inglês começou no cinema mudo e trabalhou em Londres até 1939, quando o produtor David O. Selznick lhe ofereceu US$ 800 mil para fazer cinco filmes nos Estados Unidos. Versátil, Hitchcock realizou no novo país seus dramas de suspense, documentários de guerra para o governo, uma comédia (Um Casal do Barulho) e acabaria se estabelecendo em Hollywood.
Embora fosse aficcionado das tramas criminais, Hitch tinha verdadeira fobia de policiais. Isso se devia a um trauma infantil, que ele sempre recordava em entrevistas: por causa de uma travessura, o pai havia pedido à polícia para prendê-lo por dez minutos na cela de uma delegacia.
Desde seus primeiros filmes, o cineasta criara um método de trabalho baseado no rigoroso planejamento de todas as cenas. Outra de suas obsessões era a respeito do que chamava de "cinema puro", uma série de conceitos de representação e narrativa que, segundo ele, só se aplicavam à linguagem cinematográfica e ajudavam a criar suspense.
"Festim Diabólico", por exemplo, ficou célebre por ter apenas oito cortes, quase todos imperceptíveis, reforçando a ilusão de que toda a narrativa se desenrolava diante do espectador em tempo real. O elenco ensaiou exaustivamente para rodar os longos planos-sequência.
Ainda que dissimulasse um certo desprezo pelos atores, que qualificava como "gado", tinha seus intérpretes favoritos. Trabalhou quatro vezes com Cary Grant, quatro com James Stewart, três com Ingrid Bergman e três com Grace Kelly - esta a mais famosa de suas loiras aparentemente glaciais, mas pulsantes de sensualidade.
Hitchcock também ficou famoso por seu hábito de fazer pontas nos próprios filmes, aparecendo e saindo rapidamente de cena.
"Psicose" foi certamente sua produção mais bem-sucedida comercialmente. Mas o que lhe deu dinheiro de verdade foi o seriado de televisão que dirigiu de 1955 a 1961, apresentando histórias de suspense e mistério.
Stanley Kubrick nasceu no dia 26 de Julho de 1928 em Nova Iorque. Considerado inteligente, apesar das suas más notas na escola, foi enviado pelo pai em 1940 para Pasadena, na Califórnia, onde um tio deveria orientar os seus estudos. Voltou ao Bronx em 1941 para terminar os estudos secundários, não se notando qualquer alteração no seu comportamento e resultados académicos. O pai tentou interessá-lo pelo xadrez com sucesso. Tornou-se rapidamente um jogador de algum gabarito e chegou a participar em partidas apenas pelo dinheiro. Aos treze anos o pai ofereceu-lhe uma máquina fotográfica despertando uma nova paixão no jovem. Conseguiu vender uma das suas fotos à revista Look que acabou contratando-o. Ao mesmo tempo o seu interesse pelo cinema tornou-se tão grande que não descansou enquanto não começou a filmar. Em 1950 investiu todo o seu dinheiro na realização do seu primeiro documentário Day of the Fight (1950), um filme de dezesseis minutos sobre o pugilista Walter Cartier. O documentário acabou sendo comprado pela RKO para a sua série This Is America. Nos anos seguintes fez vários documentários de encomenda: Flyng Padre(1951), para a série Pathe Screenliner da RKO, e The Seafarers (1952), documentário a cores de meia hora. Foi nesta altura que abandonou a revista Look para se dedicar totalmente ao cinema. Com ajuda de familiares, de alguns investidores e com o dinheiro que ganhara em jogos de xadrez no Central Park pôs de pé a sua primeiro longa metragem, Fear and Desire (1953). O projecto, filmado nas montanhas de San Gabrielle, perto de Los Angeles, com uma pequena equipa de dez pessoas, não foi muito feliz e acabou com o divórcio entre ele e a sua primeira mulher, Toba Metz. Se o filme não agradou muito e não conseguiu reaver o investimento, o seu talento como realizador foi de imediato reconhecido. O seu segundo filme, Killer's Kiss (1955) teve mais sucesso sendo vendido à United Artists que o distribuiu a nível nacional. Em 1955 realizou o primeiro filme para um estúdio, The Killers. Este filme negro, escrito pelo famoso Jim Thompson, autor de policiais violentos, chamou a atenção pela elaborada estrutura temporal e foi o seu primeiro verdadeiro êxito.
A MGM, que já notara as qualidades do jovem realizador, deu-lhe a possibilidade de realizar na Alemanha a adaptação de uma novela de guerra, Paths of Glory (1957), com Kirk Douglas, filme que marcou a emergência de Kubrick como um grande diretor. Essa saga passada na primeira guerra mundial é uma inteligente e aguçada crítica à prática militar. É também uma poderosa peça cinematográfica visto que Kubrick sintetiza as lições que aprendeu sobre composição e movimento de camera. A experiência foi tão positiva que Kirk Douglas o convidou mais tarde para substituir Anthonny Mann na realização de um épico que estava encalhado, Spartacus, seu primeiro e único trabalho contratado, típico épico dos anos 50 colorido em Technicolor. No filme que, ao contrário de todas as expectativas, Kubrick realizou á sua maneira, participaram atores como Laurence Olivier e Tony Curtis, além de Kirk Douglas. Um fato curioso, já testemunho de um artista sem concessões que almeja o controlo artístico total do seu trabalho, foi o de ter impedido Russell Metty, o diretor de fotografia, de trabalhar. Não gostando do trabalho do técnico, ele próprio foi o responsável pela fotografia. Este queixou-se sem resultado e, ironicamente, acabou por ganhar o Óscar de melhor fotografia sem ter feito nada durante a realização do filme. O projeto seguinte foi One-Eyed Jack (1961) com Marlon Brando, mas devido a incompatibilidades entre duas personalidades tão fortes, Kubrick abandonou o filme acabando Brando a realização do western.
Desencantado com Hollywood e com a América, e depois de mais um casamento acabado, Kubrick muda-se para a Inglaterra. Passou a trabalhar lá desde então, desenvolvendo e produzindo apenas sete filmes em 30 anos, cada um meticulosamente trabalhado e cada um notadamente diferente dos outros.
O seu primeiro filme no outro lado do Atlântico foi o famoso e controverso Lolita (1962), uma adaptação do romance de Vladimir Nabokov sobre o romance de um homem de meia idade com uma jovem de apenas 12 anos. Embora Kubrick tenha se queixado da censura tê-lo impedido de explorar a estória em maiores detalhes (dois anos foram adicionados a idade real de Lolita), o filme é visto hoje como um exemplo extraordinário de comédia mesclada com drama e romance.
Dr. Estranho Amor (1964), o seu filme seguinte, foi uma comédia negra sobre a guerra fria em que Peter Sellers tinha três papéis diferentes. Aquilo que devia ser originalmente um drama, baseado no livro Red Alert de Peter George, foi convertido numa hilariante comédia sobre o poder nuclear, porque Kubrick achava que o livro tinha muitas ideias que não podiam ser levadas a sério. O filme, apesar da sua originalidade, foi um grande sucesso tanto de público como crítico.
Os sucessos de Lolita e Dr.. Strangelove Or: How I Learned To Stop Worrying and Love the Bomb, junto com seu trabalho em Spartacus proporcionou a Kubrick a liberdade de escolher seus próprios temas e, mais importante, de exercer total controle sobre a produção dos filmes, uma liberdade rara para qualquer cineasta.
Em 1965 Kubrick começou a produção daquele que é considerado por muitos o melhor filme de sempre, 2001: Odisseia no Espaço. Inspirado por um conto de Arthur C. Clarke, A Sentinela, este filme de 1968 é uma reflexão complexa sobre o pendor do homem para a violência. Tomando cinco anos de filmagem, o filme redefiniu as fronteiras do gênero e estabeleceu convenções visuais, metáforas e efeitos especiais que permanecem até hoje padrões para indústria cinematográfica. Uma hipnose visual bem como ousadamente narrado, 2001 fez de Kubrick um herói cultural. Apesar das confusas críticas na época de seu lançamento, provou ter sido influência estilística para diversos filmes lançados nos últimos 25 anos.
O seu trabalho seguinte, Laranja Mecânica, baseado no ensaio satírico de Anthony Burgess do mesmo nome, é uma meditação sobre crime e castigo. Apesar de extremamente violento, até lhe foi atribuído um X nos Estados Unidos, depois retirado, o filme teve bastante sucesso sendo até nomeado para vários óscares, também esteve proibido no Brasil e depois foi liberado com as famosas "bolinhas pretas", que perseguiam as "partes intímas" dos atores enquanto eles se movimentavam na tela. Quem viu nunca esquecerá. "Laranja Mecânica" é um estudo sobre a amoralidade do ser humano, que não consegue administrar seus instintos frente a uma civilização igualmente incapaz de administrar suas contradições sociais. O filme é muito violento e tem uma das melhores trilhas sonoras da história do cinema. Aliás, Kubrick sempre demonstrou uma ousadia imensa na confecção do som de seus filmes, jamais se permitindo a solução fácil da música incidental que automaticamente sublinha o contexto dramático de cada cena. Kubrick, assim como brinca com a imagem, brinca com o som.
Em 1975 adaptou uma novela de W. Thackery ao grande ecran, Barry Lyndon. O filme relatava a ascensão e queda de um irlandês na Inglaterra do século XVII. O filme foi bem recebido pelo público, mas não agradou à crítica em geral. No início dos anos oitenta experimenta o filme de terror com The Shining, adaptação da obra homónima de Stephen King. King não gostou do que Kubrick fez com a sua história e ele próprio a adaptou ao cinema mais tarde. Enquanto o filme de Kubrick é uma obra prima do cinema de terror, já ninguém se lembra do filme produzido por King.
Nesta altura, Kubrick já não se preocupa com o tempo. Entre The Shining e o seu filme seguinte passam sete anos. Só em 1987 surge a sua nova obra, Nascido para Matar, sobre a guerra do Vietnam, uma das obras cinematográficas fundamentais sobre o conflito do sudoeste asiático. Novo êxito crítico e comercial.
Morreu, em Londres, no dia 07 de março de 1999, deixando pronto De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise e Nicole Kidman, e uma série de projetos intocados, como a ficção científica A.I. - Inteligência Artificial e Wartime Lies, drama sobre a Segunda Grande Guerra.
Revolucionário, professor, pensador do cinema, realizador, Sergei Mikhailovich Eisenstein é um dos nomes fundamentais na consolidação da linguagem das imagens em movimento. Com 26 anos fez “A greve”, mostrando que arte e política podiam andar juntas. Com 27, deu ao mundo “O Encouraçado Potemkin”, tão (ou mais) importante que “Cidadão Kane” na história do cinema. Filmado em apenas 2 meses e montado com extraordinário apuro técnico, o “Potemkin” tem cenas cujo ritmo supera, com folga, qualquer clip pós-moderno da geração MTV. Logo depois fez “Outubro”, menos narrativo, demonstrando sua “Teoria da Montagem de Atrações”, até hoje modelo para filmes experimentais e trabalhos de vídeo-arte.
Nestas três obras, apesar de financiado pelo estado, Eisenstein teve bastante liberdade criativa. Seus problemas começaram com “A linha geral”. Stalin julgou que a obra não estava de acordo com o “realismo soviético”, estética que fora estabelecida pela Revolução como a mais adequada para educar e conquistar as “massas”. Stalin chegou a mudar o nome do filme para “O velho e o novo” e propor algumas alterações. Eisenstein não gostou.
Graças ao sucesso extraordinário do “Potemkin”, foi chamado pela MGM e, junto com seus colaboradores Alexandrov e Tissé, embarcou para os Estados Unidos. Só que deu tudo errado. Seus projetos não decolavam, apesar de ter amigos poderosos como Chaplin e Flaherty. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e fazer “Que Viva México”, uma obra ambiciosa sobre a história de um país e sua cultura. Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros, e o material, mais tarde, caiu em mãos gananciosas e pouco inspiradas.
Desolado, o cineasta só tinha uma saída: voltar para seu país e tentar recolocar-se entre as engrenagens stalinistas. Contudo, os tempos eram ainda mais duros. Nem a imprensa o perdoava por seu afastamento e pelo seu curto idílio capitalista. Começou “O prado de Bezhin”, mas as filmagens foram interrompidas por “instâncias superiores”. Quando sua carreira parecia perdida, entretanto, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica (Hitler crescia e ameaçava invadir a União Soviética).
E, assim como já fizera no “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia (ou melhor: alimenta-se da ideologia, mas não está submetida aos seus dogmas). A cena da batalha no gelo é antológica (no sentido estrito da palavra), tanto pela fotografia maravilhosa, quanto pela habilidade narrativa.
Com o prestígio recuperado, Eisenstein começou “Ivã, o Terrível”, que deveria três partes. Mas então começou a II Guerra, e tudo se complicou. A primeira parte foi concluída, mas a segunda, que teria seqüências em cores, novamente caiu no desagrado de Stálin, que queria um herói indômito, vigoroso, monolítico, e não um ser humano de verdade, como Eisenstein planejava construir. O cineasta morreu de ataque cardíaco em 1948, em desgraça com o regime soviético, mas já consagrado no mundo todo.
FILMOGRAFIA - “A greve” (1924) - “O Encouraçado Potemkin” (1925) - “Outubro” (1927) - “A linha geral” (1929) - “Que viva México” (1931) - inacabado - “O prado de Bezhin” (1935) – inacabado - “Alexandre Nevski” (1938) - “Ivã, o Terrível” (1944/45) – em duas partes